Começos
Era uma vez uma jovem soteropolitana que sonhava em ser arquiteta. Melhor, se voltarmos à infância, ela brincava com papéis, cadernos e canetas. Queria ser uma empresária. Nada de bonecas, nada de cozinha ou comidinhas. A brincadeira favorita dela era de escritório, de assinar papéis, de sentar-se a uma mesa para dirigir uma grande empresa.
O tempo passou e ela se encantou com as formas e a complexidade de grandes prédios na cidade, muitos deles construídos com a participação do seu próprio pai. Junte a isso uma paixão por arte e cultura mundial, e isso a fez desejar ser decoradora de ambientes. Com o tempo, percebeu que esses anseios demandariam tempo e dinheiro que ela não dispunha.
Então, começou a usar sua inteligência para ganhar dinheiro de outras formas: deu aulas de reforço para crianças, o que mantinha sua mente ativa. Para manter a criatividade, fazia trabalhos manuais e os comercializava. Acabou por ser também manicure, o que a colocava em um contato indesejado com pessoas — ela precisava lutar contra isso, afinal, tinha um caráter introspectivo.
Como uma grande fã de filmes, além de observar a decoração das casas, ela também anotava as roupas das personagens. Certa vez, pediu a uma costureira da família que confeccionasse um vestido no modelo que viu Bette Davis usando no filme A Malvada. O vestido não saiu como ela queria. Outra vez, pediu à costureira da família que confeccionasse um vestido que viu na revista. A costureira disse que aquele modelo não ficaria bem para ela. No fundo, a garota não sabia se aquilo era um comentário, um conselho não solicitado, ou se apenas refletia a incapacidade da costureira de confeccionar o modelo, ou talvez a falta de vontade de gastar tempo naquela costura.
O fato é que ela ficou sem ambos os vestidos, acumulando em seu caderno folhas e folhas de recortes de modelos, desenhos e mais desenhos de vestidos que via na televisão. Até que um dia, ela tinha uma festa para ir, um corte de tecido guardado e ninguém para fazer sua calça. A mãe dela disse que muitas pessoas antigamente aprendiam a costurar desmanchando uma peça, copiando e refazendo. Ela pensou: "Eu não sou burra; se outras conseguem, eu também consigo." E isso ela fez. Pegou sua calça favorita, que já estava surrada, desmanchou todas as costuras pecinha por pecinha, colocou em cima do seu corte de tecido, copiou, cortou e remontou aquele "quebra-cabeça" que era a calça. Dois dias depois, ela estava na festa usando sua primeira peça confeccionada.


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