Um ateliê na sala de estar
Manter a produtividade, costurar a linha tênue entre as agulhas do trabalho e os fios soltos da vida pessoal, quando o ateliê reside sob o mesmo teto que a sua existência... ah, essa é uma arte que aprendi (e continuo aprendendo) a golpes de tesoura e com muitos alfinetes na ponta dos dedos. Eu sei bem como é. Lembro-me do começo, daquele tempo em que sonhava com arquitetura e escritórios grandiosos, mas me via entre esmaltes de manicure e bicos de crochê para vender. Sem falar no trabalho voluntário, que, apesar de nobre, roubava horas preciosas que eu teimava em querer guardar para a costura. Era uma luta contra o relógio, contra as expectativas alheias, e, principalmente, contra a minha própria dificuldade em dizer 'não'. Tentei separar um dia, a terça-feira, para a costura – algo como um santuário semanal. Mas, como um ímã irresistível, alguém sempre 'precisava' de mim. Amigas, pessoas que eu de fato gosto, descobriam que eu finalmente estava em casa, e vinham f...









